Entre janeiro e agosto, o município já registrou mais de 1.300 milímetros de chuva. O excesso de precipitações e a falta de luminosidade, especialmente nas últimas semanas, causam prejuízos e problemas aos pequenos agricultores.
O volume de chuva começou a aumentar a partir de abril com médias mensais de 100 milímetros e, em julho, esse volume superou 214 milímetros. O clima seguiu instável em agosto com muitos dias sem a presença do sol. “Se o tempo não melhorar, vai faltar produtos. Até conseguimos trabalhar, mas desse jeito não tem como plantar. Alface, repolho e brócolis estão apodrecendo nos canteiros”, disse a produtora Leni Ribeiro, 63 anos, que cultiva hortaliças e verduras na propriedade localizada em Linha Puhl. “Com esse tempo, nada se desenvolve. A produção é baixa e qualidade deixa a desejar”, comentou. A agricultora comercializa produtos semanalmente na Feira do Produtor Rural, para a merenda das escolas municipais e ainda atende consumidores diretamente em sua propriedade.


O prejuízo também é contabilizado na produção de morangos, iniciativa do filho Anderson Ribeiro. “Acredito que já perdi mais de 100 quilos nesta primeira colheita. Sem luminosidade, a fruta apodreceu na planta e criou fungos”, disse. A produção, em três estufas, envolve cerca de 4 mil pés de morango.
No ano passado, Anderson conseguiu comercializar aproximadamente 1,3 mil quilos da fruta. “Agora vou induzir a planta para uma nova florada. Mas preciso do sol. Todos estão pedindo morangos. É uma pena. Tenho venda garantida, mas dependo do clima para ter a fruta” concluiu.

PREOCUPAÇÃO
O Chefe da Emater de Mato Leitão, Rudinei Pinheiro Medeiros, também mostra preocupação com os altos níveis de chuva nos últimos meses. “Isso causou perdas significativas nos cultivos de hortaliças, principalmente cultivadas a céu aberto, fora de estufas”, disse.
Medeiros destaca o aparecimento de fungos. “A pouca quantidade de dias de sol prejudicou muito o desenvolvimento das plantas (folhas e florescimento). A soma desses fatores climáticos reflete uma baixa produção”, comenta.